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Vídeo em LibrasAyman Moussa Hussein, 19 anos, que está com a formatura marcada para o dia 16 deste mês, no curso de ensino médio técnico integrado em Comunicação Visual, do IFSC Palhoça Bilíngue, comemora a conquista de uma vaga no curso de Zootecnia, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Um feito comum para os jovens da sua idade, não fosse a necessidade de aprender em outra língua: a língua de sinais. 

Embora o desejo do estudante fosse o curso de Odontologia, cuja nota para ingresso precisaria ser mais alta, ele está feliz e ansioso pela entrada na Universidade. Ayman é um daqueles jovens que está bastante preocupado com o seu futuro profissional e acredita que o foco nos estudos, aliado à preocupação e atenção dos professores pode fazer a diferença. “Eu acabei deixando de lado o divertimento e comecei a me preocupar com o meu futuro profissional, com o meu salário, em garantir uma vida estável […]. Os professores sempre foram muito preocupados com os alunos, eles estavam sempre nos motivando, nos desafiando e nos impulsionando a aprender mais”, relata o mais novo calouro.

O jovem é o filho mais novo do casal de ouvintes, Rukaia Jamal Said Ali Mohd e Moussa Hassan Daoud Hussein. Os irmãos têm a síndrome de Usher, uma doença genética que causa surdez e cegueira. A mãe, que menciona dificuldades enfrentadas em outras escolas, inclusive com a negação da matrícula dos filhos, destaca que o IFSC contribuiu muito para o desenvolvimento de Ayman e sua conquista. “Nas outras escolas, muitas coisas dependiam de eu explicar. Eu fazia um dicionário de fotos, de figurinhas, de coisas que, às vezes, eu não conseguia passar pra ele […]. Aqui, graças a Deus, não tive nenhum problema com isso. Ele fazia tudo sozinho”, relembra Rukaia.

No curso de ensino médio que Ayman está se formando, o técnico integrado em Comunicação Visual, há uma turma específica para surdos, com aulas ministradas na Língua Brasileira de Sinais (Libras). Situação essa que facilita os processos de ensino e aprendizagem, conforme explica o professor de língua portuguesa, Renato Calixto. “A educação bilíngue é muito importante na formação dos surdos porque utiliza a língua de sinais, que é a língua materna deles, como língua de instrução. Dessa forma, todos os processos formativos e todas as estratégias de ensino tomam como base a Libras, o que possibilita o desenvolvimento tanto linguístico, quanto em relação aos conteúdos técnicos e humanísticos”.

Esse benefício da educação bilíngue fica evidente na fala de Ayman, “as experiências que eu vivi aqui foram fundamentais. Eu me senti em um espaço de igualdade e isso foi extremamente importante. Se eu tivesse numa outra escola talvez não tivesse o mesmo resultado, pois em outras instituições eles não conhecem a cultura e a identidade surda, então as pessoas acabam não se relacionando com o surdo”. O próximo desafio será ingressar em uma turma de ouvintes, mas ele sabe que seu esforço deve continuar. “Eu vou ter que procurar experiências práticas para aprender mais e vou também levar esse desafio para os professores, para que eles aprendam comigo e entendam como é trabalhar com um aluno surdo”, planeja.

Por Sônia Santos | Relações Públicas do IFSC | Interpretação de Libras de Stephanie Vasconcelos.

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